sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Lua turva


Ó lancinante delírio divino,
Embriagaste-me de impoluta dor...!
Nesse infecundo ninho diamantino,
Bordo agônicos sonhos de licor.

O meu dolor canta sem lamentar...:
Compõe jacentes veredas febris,
Congela este mar a me alimentar...
Minh’ alma ejacula lágrimas vis!

Afoga-me a sacra Lua turvada,
Altar que persiste em me incendiar!
Brotado de semente envenenada,
Véu dos meus vícios despe-se a berrar.

Por uma etérea onda tecida em fúria,
Sigo a Luz da Amplidão a me clarear...
Sou celestial serpente da luxúria,
É o meu veneno que quero tragar!

Tomás Santos
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(Imagem: pt.forwallpaper.com)

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