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domingo, 15 de janeiro de 2017

A rosa


A rosa, ainda rubra,
repousa por entre as mãos.
Delicado verso.

Rita Venâncio.
Copyright: É proibida a cópia, reprodução, distribuição, exibição, 
criação de obras derivadas e uso comercial sem a sua prévia permissão.

(Imagem: vilmavida.blogspot.com)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Todas as cartas de amor...

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.


Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.



As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.



Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.



Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.



A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.



(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.

(Fernando Pessoa - Álvaro de Campos, 21/10/1935)
(Imagem: cadernoderecortesbyceliafernandes.blogspot.com)




sexta-feira, 15 de abril de 2011

Autopsicografia


O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

(Fernando Pessoa)
(Pintura de Ismael Nery: Mulher ao luar)
(http://www.releituras.com/fpessoa_psicografia.asp)