Ao fundo,
as nuvens chocam com as
casas. Os
pássaros gritam e há homens
que se
atiram das varandas como se fossem
vasos
empurrados pelo vento.
Os carros
esmagam os bichos que correm
pelo
alcatrão. É quase Primavera, o frio
anuncia
uma culpa antiga, a solidão
dos
guerreiros. E há um outro homem
que diz:
gosto das árvores, do seu tronco
e das
raízes que rasgam as calçadas. Esse
homem
decidira viver porque pertencia
à humidade
das paredes, aos telhados de
barro, às
bétulas. Era dali que lhe vinha
a força
dos braços, a claridade que se lhe
prendera à
pele. Era essa a sua confissão.
Mas, após
ter dito aquelas palavras lançou-se
para o
espaço, seguindo a trajectória da chuva.
Jaime
Rocha
(Imagem: facebook.com)

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