segunda-feira, 4 de abril de 2011

Um poema de Bandeira...


 Maçã

Por um lado te vejo como um seio murcho
Pelo outro como um ventre de cujo umbigo pende ainda o cordão placentário

És vermelha como o amor divino

Dentro de ti em pequenas pevides
Palpita a vida prodigiosa
Infinitamente

E quedas tão simples
Ao lado de um talher
Num quarto pobre de hotel.

(Petrópolis, 25-2-1938)
(Manuel Bandeira. In: Lira dos cinquent´anos)

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